sábado, 8 de novembro de 2014

HAIKAI 05

continuação de 04...

    Outras vezes repetiu-se a estrutura silábica, amoldando-se a criação ao estilo do poeta e às inclinações peculiares da língua utilizada. Como o nosso Guilherme de Almeida, que se serviu de rima, com bom resultado:

     Uma folha morta.
     Um galho no céu grisalho.
     Fecho a minha porta.

     Um gosto de amora
     Comida com sol. A vida
     Chamava-se "Agora".

     Esvoaça a libélula.
     Esponja verdade. Uma concha.
     O lago é uma pérola.

     Incidentalmente, foi Guilherme de Almeida, amante do haicai, que assim o definiu:

     Lava, escorre, agita
     A areia. E enfim, na bateia,
     Fica uma pepita.

    O perigo de algumas dessas adaptações ocidentais está da perda de

Os "haicaístas" mostram um prazer perverso de ocultar a referência à natureza

vitalidade, para a qual nos alerta Haroldo de Campos; na transformação do haicai em simples adorno, naquilo que Ezra Pound chamaria ironicamente de "rice powder poetry" - poesia pó de arroz" -.
     Os quatro grandes mestres do haiku clássico foram os já citados Bashô e Issa, Yosa Buson (1716-1784) e Masaoka Shioki (1867 - 1902). No Japão há incontáveis praticantes da poesia tradicional, especialmente o haicai. São japoneses e estrangeiros, e em 1961 um destes, o diplomata brasileiro Galba Samuel Santos (1917-1968) ganhou um prêmio da Casa Imperial, com  um tenka (Nai tsunami/ gen baku no shiren/ fumiko e te/  fuso no kunitsuchi/ saka e yuku miyu) cuja tradução prosaica é a seguinte: "Terremotos, maremotos, a bomba atômica: todas essas provações assolando o país. Nem por isso desapareceram a glória e a energia espiritual da Terra do Sol Nascente".
                                                                          continua na próxima postagem.....

 

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