Outras vezes repetiu-se a estrutura silábica, amoldando-se a criação ao estilo do poeta e às inclinações peculiares da língua utilizada. Como o nosso Guilherme de Almeida, que se serviu de rima, com bom resultado:
Uma folha morta.
Um galho no céu grisalho.
Fecho a minha porta.
Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
Chamava-se "Agora".
Esvoaça a libélula.
Esponja verdade. Uma concha.
O lago é uma pérola.
Incidentalmente, foi Guilherme de Almeida, amante do haicai, que assim o definiu:
Lava, escorre, agita
A areia. E enfim, na bateia,
Fica uma pepita.
O perigo de algumas dessas adaptações ocidentais está da perda de
Os "haicaístas" mostram um prazer perverso de ocultar a referência à natureza
vitalidade, para a qual nos alerta Haroldo de Campos; na transformação do haicai em simples adorno, naquilo que Ezra Pound chamaria ironicamente de "rice powder poetry" - poesia pó de arroz" -.
Os quatro grandes mestres do haiku clássico foram os já citados Bashô e Issa, Yosa Buson (1716-1784) e Masaoka Shioki (1867 - 1902). No Japão há incontáveis praticantes da poesia tradicional, especialmente o haicai. São japoneses e estrangeiros, e em 1961 um destes, o diplomata brasileiro Galba Samuel Santos (1917-1968) ganhou um prêmio da Casa Imperial, com um tenka (Nai tsunami/ gen baku no shiren/ fumiko e te/ fuso no kunitsuchi/ saka e yuku miyu) cuja tradução prosaica é a seguinte: "Terremotos, maremotos, a bomba atômica: todas essas provações assolando o país. Nem por isso desapareceram a glória e a energia espiritual da Terra do Sol Nascente".
continua na próxima postagem.....
Uma folha morta.
Um galho no céu grisalho.
Fecho a minha porta.
Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
Chamava-se "Agora".
Esvoaça a libélula.
Esponja verdade. Uma concha.
O lago é uma pérola.
Incidentalmente, foi Guilherme de Almeida, amante do haicai, que assim o definiu:
Lava, escorre, agita
A areia. E enfim, na bateia,
Fica uma pepita.
O perigo de algumas dessas adaptações ocidentais está da perda de
Os "haicaístas" mostram um prazer perverso de ocultar a referência à natureza
vitalidade, para a qual nos alerta Haroldo de Campos; na transformação do haicai em simples adorno, naquilo que Ezra Pound chamaria ironicamente de "rice powder poetry" - poesia pó de arroz" -.
Os quatro grandes mestres do haiku clássico foram os já citados Bashô e Issa, Yosa Buson (1716-1784) e Masaoka Shioki (1867 - 1902). No Japão há incontáveis praticantes da poesia tradicional, especialmente o haicai. São japoneses e estrangeiros, e em 1961 um destes, o diplomata brasileiro Galba Samuel Santos (1917-1968) ganhou um prêmio da Casa Imperial, com um tenka (Nai tsunami/ gen baku no shiren/ fumiko e te/ fuso no kunitsuchi/ saka e yuku miyu) cuja tradução prosaica é a seguinte: "Terremotos, maremotos, a bomba atômica: todas essas provações assolando o país. Nem por isso desapareceram a glória e a energia espiritual da Terra do Sol Nascente".
continua na próxima postagem.....
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