sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A HERANÇA GLOBAL- 34 (01)

                            Fábulas indianas de 2 mil atrás entraram até no folclore ocidental

                               As histórias do "Panchatantra" influenciaram La Fontaine e ecoam até mesmo em contos recolhidos pelos irmãos Grimm, Perranault e Andersen
                                                              * Renato Pompeu
 
           Se quando se fala em fábulas os nomes de autores que surgem à mente dos ocidentais cultos são o do grego Esopo e do francês La Fontaine, a verdade é que, segundo a grande maioria dos pesquisadores, a coleção mais importante em toda a história mundial de histórias com animais como personagens são os Panchatantra, obra indiana que começou a ser reunida no século 1º a.C.  O nome significa Cinco Capítulos, pois o texto é dividido em cinco partes, cada uma delas iniciada por uma chamada história-moldura, ou história-modelo, que serve ao mesmo tempo de modelo e de tema para as restantes fábulas do capítulo; a rigor, as outras histórias de cada capítulo são narradas por personagens da história-moldura.
            Na verdade, o próprio La Fontaine reconheceu por escrito que muitas de suas fábulas foram inspiradas por essas histórias indianas, algumas das quais se encontram, retrabalhadas pela imaginação popular europeia, também nos contos colecionados pelos irmãos Grimm, da Alemanha, e por Perrault, da França, além de Andersen, da Dinamarca.
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                                                       A moral das histórias  do
                                                       Panchatantra exalta mais
                                                       as artimanhas para obter
                                                       vantagens do que a ética
                                                       ou a solidariedade
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A autoria das fábulas indianas é atribuída tradicionalmente a um sábio, Vishnusarman, que, perto dos 80 anos, foi encarregado de educar os três filhos de um rei. Como os jovens príncipes eram muito agitados e pouco dados a ficar quietos prestando atenção nas falas do mestre, este compôs as histórias para ao mesmo tempo mantê-los entretidos e instruí-los. Entretanto, o que se poderia chamar de moral de cada história exalta muito mais a esperteza e as artimanhas para obter vantagens do que propriamente a ética ou a solidariedade.
        A partir do século 6º d.C. as fábulas começaram a ser traduzidas fora da Índia, no Irã, e em seguida nos países conquistados pelos árabes, até a Espanha; em outra direção, por todo o Sudeste Asiático e o Extremo Oriente.
                                       continua na próxima postagem.......

Extraído do "Caderno de Sábado"
Jornal da Tarde
Data: Sábado - 23-8-97
O jornal pertencia ao "O ESTADO DE SÃO PAULO"
 

Um comentário:

  1. Yosi boa tarde.
    Meu nome é Aldo (aldojorge.aj@gmail.com)
    E eu (na época) lia as páginas do JT com a Herana Global do Pompeu.
    Gostaria muito de ter este material novamente em formato digital.
    Sabe me dizer se isto é possível?
    Fiz umas buscas e não obtive sucesso.
    Abraços
    Aldo

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