sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A HERANÇA GLOBAL 34 (03)

                                      Fábulas indianas de 2 mil anos atrás
                                       entraram até no folclore ocidental    

            continuação......
       Uma vez, no escuro da noite, um pensamento inesperado atravessou a mente de Vardhamana e ele ficou deitado divagando do seguinte modo:
       "A riqueza, mesmo uma fortuna imensa, vai minguando com o uso constante... como o colírio. De outro lado, mesmo uma fortuna modesta cresce, se for sempre aumentada, como um formigueiro. Então... mesmo a riqueza imensa deve ser sempre aumentada; o que quer que ainda não tenha sido ganho deve ser ganho. Uma vez ganho, deve ser guardado com segurança. O que é bem guardado deve ser aumentado: bem investido. A riqueza guardada no modo costumeiro do mundo, ou seja, entesourada, pode desaparecer num relâmpago - a vida é cheia de perigos. Além disso, a riqueza entesourada é a mesma coisa que a riqueza não possuída. Então, a riqueza ganha deveria ser guardada com segurança, aumentada e utilizada. Pois, se diz:
       Faça circular a riqueza que você ganha
       e você ainda a mantêm
       A água num tanque, sem saída,
       se derrama e é desperdiçada.
 
       A riqueza atrai a riqueza, assim como os elefantes domesticados atraem os selvagens;
       a riqueza não pode ser ganha por um simples desejo;
       não pode haver comércio sem riqueza.
 
       O homem que deixa a riqueza atirada pela Fortuna sobre ele
       ficar ociosa, não acha felicidade neste mundo,
       nem no outro mundo. O que ele é então?
       Um tolo completo fazendo o papel de sentinela."

       Tendo assim ponderado a questão, Vardhamana chegou a uma conclusão. Ele iria viajar. Tendo reunido seus criados, ele juntou uma carroça cheia de mercadorias que achariam fácil venda na cidade de Mathura. Então marcou um dia e hora em que a lua e as estrelas estavam em posições auspiciosas. Depois de receber a bênção de seus pais, ele partiu, sob o som de trombetas e música de flautas à frente dele, e com seus amigos e parentes fechando a retaguarda. À beira da água (do fosso que circundava a cidade), ele disse adeus aos amigos e parentes e começou sua viagem a Mathura.
        Ora, Vardhamana possuía dois nobres touros, brancos como as nuvens e ostentando marcas misteriosas que auguravam boa sorte. Chamados Alegre e Vivaz, eles puxavam a carroça carregada com mercadorias.
        Após algum tempo a caravana alcançou uma grande floresta; encantadora com árvores densamente copadas, dhava e acácia, sal (nome de uma árvore indiana), chamada-floresta e numerosas outras belas árvores floridas; assustadora por causa das muitas feras poderosas que por ela vagueavam, elefante e bisão, búfalo e javali, tigre, leopardo e urso; deliciosa por causa das manadas de gazelas e de cervos de rabo espesso; cheia de riachos que desciam as encostas, e dotada de ravinas e cavernas.
                              continua na próxima postagem........

Extraído do Caderno de Sábado
JORNAL DA TARDE
Data: Sábado - 23-8-97
Jornal da Tarde pertencia ao jornal:
"O ESTADO DE SÃO PAULO"
 
 
      
 
 
       

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