Fábulas indianas de 2
mil anos atrás entraram
até no folclore ocidental
As histórias do "Panchatantra" influenciaram
La Fontaine e ecoam até mesmo em contos recolhidos
pelos irmãos Grimm, Perrault e Andersen
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*Por Renato Pompeu
E agora o que aconteceu com o pobre Vivaz, sozinho, doente e abandonado? Bem, ele estava destinado, por meio de sua própria sorte, a viver o tempo que lhe havia sido concedido de vida. Gradualmente, ele melhorou, recuperado e revigorado pelo jato refrescante das cascatas. Então lentamente se levantou sobre suas patas e mancou, passo a passo, até que finalmente atingiu as verdes margens do rio Yamuna. Colhendo as tenras pontas da relva luxuriante, cor-de-esmeralda, em poucos dias ele se tornou luzidio e gordo como o touro do Senhor Xiva ( um dos deuses da principal trindade do hinduísmo), exibindo uma magnífica corcova (note-se que é touro indiano, zebu) e fervilhando de energia. Diariamente ele vagava pelos prados verdejantes como um elefante brincalhão e se divertia atacando os grandes formigueiros, dando marradas em suas pontudas extremidades, ferindo-os com as afiadas pontas de seus chifres.
Aconteceu que um dia o leão Fulvo, acompanhado por um cortejo de diferentes espécies de animais, desceu ao rio para beber, quando ouviu o tremendo mugido do touro, que soava como o trovão de nuvens de chuva. Instantaneamente, Fulvo ficou paralisado, profundamente perturbado no coração. Entretanto, escondendo o verdadeiro estado de suas emoções, Fulvo recuou, retirando-se para o vasto círculo formado pela grande figueira-da-Índia (árvore sob a qual se podem abrigar dezenas e até centenas de pessoas), não longe de onde ele tinha parado. Assim, ele reuniu seu cortejo na formação comumente conhecida como os Quatro Círculos.
Caro leitor, como você está muito longe no tempo e no espaço do mundo desse livro de histórias, permita-me explicar o que são os Quatro Círculos. Temos o Círculo do Leão, o Círculo dos Atendentes, o Círculo dos Cortesãos - esses parasitas que crocitam e cacarejam - e o Círculo dos Serviçais - os que trazem e carregam alimentos e outras coisas. Como se costuma dizer, em qualquer cidade ou capital, vila, aldeia ou vilarejo, acampamento, colônia de brâmanes, posto da fronteira, mosteiro ou comunidade de pessoas, pode haver apenas um ocupante do leão. O Círculo dos Atendentes compreende muitas pessoas o dos parasitas, naturalmente, miríades. E, no que se refere ao quarto círculo, aquele dos "outros" - bem, eles se juntam na beirada floresta -, estão nas franjas, na periferia, por assim dizer. Assim é a hierarquia, alta, média, baixa. É assim que é, e sempre será.
Mais adiante, surgem os versos:
O Rei das Feras, cheio de energia
habita as matas, solitário,
sem os emblemas da realeza;
não instruído, não treinado na política;
sua força superior lhe dá a soberania;
ele governa, coroado simplesmente pelas palavras,
Ó rei! Salve! Ó rei!
Sem rito de consagração,
sem ablação sagrada,
as feras da floresta cumprem
a coroação do leão como rei.
continua na próxima postagem.......
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