"Pois esse tal de brasileirismo está me fatigando um bocado, de tão repetido e aparente. Sou brasileiro é frase que me horroriza, palavra. Também publico o Macunaíma que já está feito e não quero mais saber de nacionalismo de estandarte. Meu espírito é que é por demais livre para acreditar no estandarte. E por aí você vai percebendo quanto me sacrifico em mim pela arte de ação que me dou, que me interessa mais, tem mais função humana e vale mais que eu. Mas agora a ação já está feita e o que carece é a contra-ação porque o pessoal engoliu a pílula e foi na onda com cegueira de carneirada. Confesso que quando me pus trabalhando pró-brasilidade complexa e integral (coisa que não se resume como tantos imaginaram ao trabalho da linguagem) confesso que nunca supus a vitória tão fácil e o ritmo pegavel. Pegou. Eu estava disposto a dedicar a minha vida pro trabalho. Bastaram uns poucos anos. Tanto melhor, vamos em frente?"
O conceito de brasilidade de Mário de Andrade era complexo e integral, mas impediu que um de seus alvos - a pesquisa de linguagem - se transformasse em motivo de discórdia dentro do grupo modernista. Nenhum dos companheiros aceitava sem reserva a sistematização da fala brasileira que ele procurava impor, e provavelmente só Manoel Bandeira continuava lendo e discutindo, com disciplina e lucidez, os prefácios e notas que acrescentava aos trabalhos.
continua na próxima postagem.....
Texto extraído de "CADERNO DE SÁBADO"
Jornal da Tarde
Data: Sábado - 6-1-96
Pertencia ao jornal
"O ESTADO DE SÃO PAULO"
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