Mário de Andrade figura nos dois grupos e isso é significante. O destino acaba de lança-lo no centro de um rodamoinho, onde se vê disputado por uma instituição tradicional e mesmo retardatária e um movimento revolucionário e escandaloso. Em março, durante o carnaval, escreve a madrinha que descansa em Araraquara, procurando tranquiliza-la contra a assuada do Municipal: "Assim como as vaias chegam, as honras também chegam. Estou professor catedrático do Conservatório, consideradíssimo lá dentro, tenho uma boa roda de amigos, sou feliz. "Desta vez a fórmula, que em geral sabe cunhar com perícia, não soa muito adequada à situação: o escândalo da Semana lhe acarreta a perda total dos alunos de piano e um baque de dois contos de réis no orçamento mensal. Quanto ao Conservatório, só não o dispensava porque o cargo que acabava de ocupar era vitalício.
Aos poucos a fama de bom professor e o prestígio junto aos alunos amortecem o temor das famílias e pela altura de 1924 já está reequilibrando as finanças através de um curso particular de Estética e História da Música, dado a um grupo de moças. Algumas delas conservaram ao ao longo dos anos os cadernos de notas onde copiaram com capricho os pontos fornecidos pelo mestre. Estes documentos, a correspondência com Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, o manuscrito precioso que Flávia Camargo Toni está nos apresentando permitem recuperar, não só um pouco, mas uma fase pouco conhecida de nosso autor: a sua atuação no magistério.
continua na próxima postagem......
Texto extraído do JORNAL DA TARDE
- CADERNO DE SÁBADO-
Data: Sábado - 6-1-96
Jornal da Tarde
Pertencia ao "O ESTADO DE SÃO PAULO"
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