sexta-feira, 6 de maio de 2016

MÁRIO DE ANDRADE E A MÚSICA (03)

                           continuação.......

            A fotografia dos modernistas mostra-os, ao contrário, muito à vontade. A composição se dispõe num triângulo isósceles de grande horizontalidade, tendo na ponta inferior Oswald de Andrade e mais ao alto e no centro a "autoridade intelectual e tradicional" de Paulo Prado - como Mário o designa em seu célebre escrito sobre o Movimento Modernista. A distribuição dos retratados é casual, não se sente nenhuma preocupação de pose na atitude dos corpos. Oswald, no primeiro plano, sentado no chão, segura com uma das mãos o pé esquerdo e com a outra empunha com naturalidade o charuto. Couto de Barros, na extrema esquerda, compõe uma figura enérgica, as pernas afastadas, as mãos cruzadas nas costas. As mãos, em geral tão sensíveis quando nos sentimos observados, não revelam constrangimento, estão no bolso, nas costas, sobre a guarda da cadeira, empunhando o cigarro à altura do peito, livres ao longo do corpo. Nem todos estão de escuro. Oswald, muito elegante, enverga um jaquetão e calças, eu creio, de veludo cinzento. Quatro dentre eles vestem ternos mesclados, de lã. E embora três pareçam mais conservadores que os demais em seus colarinhos duros de pontas quebradas, os restantes usam camisas comuns. As gravatas são na maioria longas, mas já pousam aqui e ali quatros gravatinhas borboletas, anunciando a voga que, logo mais, o Partido Democrático irá difundir.
                              continua na próxima postagem.....
 
Texto extraído de "Caderno de Sábado"
JORNAL DA TARDE
Data: Sábado - 6-1-96
Jornal da Tarde pertencia ao jornal
"O ESTADO DE SÃO PAULO"

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