sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A PRIMEIRA HSTÉRICA DA LITERATURA (05)

                                continuação.....

                                              CONFIDÊNCIA
       Emma questiona suas leituras e sua educação, tenta conversar com Charles, fala a sua cachorra; suas confidências, tê-las-ia feito às achas da lareira e ao pêndulo do relógio". Sem ousar declarar sua paixão por Léon, Emma resolve falar com Bournisién, o pároco, que mais preocupado com os moleques do catecismo e "as vacas com inchaço", mais propício a recorrer aos remédios de Charles Bovary do que a oferecer sua escuta, entra na igreja e deixa Emma sem resposta. Rodolphe vai resolver a situação a seu modo, Léon lhe sucederá, mas Emma nunca terá uma verdadeira resposta. Faltava Freud que aprendeu com Bertha Pappenheim, a cura pela fala e a posição de escuta do analista. É nesse sentido que Emma Bovary é a primeira histérica da literatura. Não havendo ninguém para responder a suas perguntas que giravam em torno da questão fundamental "O que é ser mulher?", ela é impelida a confundir paixão e saber, o que a leva à morte.
 
#MADAME BOVARY, de Gustava Flaubert. Editora Nova Alexandria. 431 páginas.
O autor é professor de Literatura Francesa na USP
 
Texto extraído de Caderno de Sábado
Jornal da Tarde
Data: Sábado - 22/5/93
Jornal da Tarde pertencia ao jornal " O ESTADO DE SÃO PAULO "
 
 

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