Emma resiste a esse mundo e suas divisões por meios mais próximos da introspecção do que da ação: abolir o corte entre as leituras e esta realidade - queria como as heroínas dos romances "casar-se à meia-noite à luz de tochas"; eliminar se possível a divisão social - no camarote do teatro "arqueou o corpo com a desenvoltura de uma duquesa"; apagar a diferença entre sonho, devaneio e vida real como já foi comentado acima; esquecer - "sua vida passada, tão nítida até então, desvanecia-se inteiramente e ela quase duvidava de tê-lo vivido /..../ não havia mais que sombra estendida sobre todo o resto." A maioria desses meios decorre de um trabalho da imaginação baseado na imitação de personagens de ficção ou reais, na ausência de referências ou na recusa de um passado. Há uma vontade de voltar à estaca zero, de remodelar ou de reconstruir bem parecida ao estado do analisando no decorrer da cura. Depois do casamento, uma angústia começou a trabalhar a heroína: "antes de casar, ela julgava ter amor; mas como a felicidade /.../ não viera, ela deveria ter-se enganado, pensava. Emma procurava saber o que se entendia exatamente, na vida, pelas palavras felicidade, paixão, embriaguez que lhe haviam parecido tão belas nos livros".
continua na próxima postagem......
Extraído do Caderno de Sábado
Jornal da Tarde
Data: Sábado - 22/5/93
Jornal da Tarde pertencia ao "O ESTADO DE SÃO PAULO"
Nenhum comentário:
Postar um comentário