sábado, 25 de julho de 2015

O QUE É A ARTE? (01)

                                                               O QUE É A ARTE?

        O Caderno de Sábado publica um trecho do primeiro capítulo de "Breviário de Estética",  que tem nova edição depois de 57 anos
                                                           Por Benedetto Croce
       
       À pergunta "O que é a arte?" poder-se-ia responder brincando (mas não seria uma brincadeira tola): que a arte é aquilo que todos sabem o que é. E, verdadeiramente, se não se soubesse de algum modo o que ela é, não se poderia sequer fazer essa pergunta, porque toda pergunta traz alguma notícia da coisa sobre a qual se pergunta, por isso mesmo qualificada e conhecida. E isso tem uma contraprova prática nas ideias justas e profundas que ouvimos frequentemente manifestar acerca da arte por aqueles que não professam a filosofia e a teoria, pelos leigos, pelos artistas que não gostam de discutir, pelas pessoas ingênuas, e até mesmo por gente do povo: ideias que, por vezes, ficam implícitas nos juízos que se avançam sobre obras de arte específicas, mas que outras vezes chegam a assumir a forma de aforismos ou definições.
         Ocorre pensar que poderíamos fazer ruborizar, sempre que quiséssemos, todo filósofo cheio de si, que julgasse ter "descoberto" a natureza da arte, pondo sob seus olhos proposições escritas nos livros mais comuns e fazendo soar em seus ouvidos sentenças da conversação mais corriqueira, e mostrando-lhe  que elas já contêm, de maneira mais clara, a descoberta de que ele se gaba. E o filósofo bem que teria motivo de ficar ruborizado nesse caso, isto é, se tivesse alguma vez alimentado a ilusão de introduzir, com suas doutrinas, algo de totalmente seu original na consciência humana comum, algo de estranho a essa consciência, a revelação de um mundo totalmente novo. Mas ele não se pergunta sobre o que é a arte (como, de resto, toda pergunta filosófica sobre a natureza do real, ou em geral, toda pergunta de conhecimento), mesmo quando nas palavras usadas assume o aspecto de um problema geral e total, que se pretende resolver pela primeira vez, e tem, efetivamente, um significado circunstanciado, isto é, passível de ser referido às dificuldades específicas que surgem num momento específico da história do pensamento.
                        continua na próxima postagem.......
Texto extraído de Caderno de Sábado - "Jornal da Tarde"
Data: Sábado - 24-5-97.
O "Jornal da Tarde" pertencia ao "O ESTADO DE SÃO PAULO"

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário