sábado, 4 de julho de 2015

O PERSONAGEM GARCÍA MÁRQUES (02)

             continuação....
         A autobiografia, que trata de sua infância e de sua adolescência, é, na verdade, uma grande busca de sentido para o estranho percurso que o menino da costa caribenha da Colômbia decidiu seguir, fugindo do sonho inicial dos pais de vê-lo formado médico ou, no mínimo advogado. A viagem a que a mãe o convoca também é a última tentativa da família de negociar uma solução de compromisso, uma última e vã de vê-lo voltar à faculdade de Direito.
         Aracataca já foi chamada de a Macondo de García Márquez. Embora isso não possa ser contestado por completo, a verdade é que suas referências, embora passem pela pequena cidade não se esgotam, claro, nela.
         No retorno a Aracataca, vê uma placa com o nome da cidade mítica que criou. O trem fez uma parada numa estação sem povoado, e pouco depois passou em frente de uma plantação de bananas, a única do caminho, "que tinha o nome escrito no portal: Macondo": a dez minutos de Aracataca. "Essa palavra me havia chamado a atenção desde as primeiras viagens com meu avô, mas só adulto descobri que gostava de sua ressonância poética."
         A autobiografia de García Marquez parte, então, para a história de Aracataca, marcada pela presença da companhia United Fruit e de um massacre de bananeiros, e de seus avós e pais. Ao tratar do amor proibido entre seu pai, Gabriel Eligio, então telegrafista (mais tarde, seria um homeopata autodidata), e sua mãe, Luisa Santiaga, filha de um coronel que não queria essa aproximação, García Márquez conta como eles se correspondiam às escondidas: recordações que foram fundamentais para a composição do quinto romance do autor colombiano O Amor nos Tempos do Cólera.
                                continua na próxima postagem......

Texto extraído de
Cultura - Caderno 2
"O ESTADO DE SÃO PAULO"
Domingo, 20 de outubro de 2002 nº 1.147 - Ano 22

 

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