Nada de estranhar, portanto, a importância que Del Nero atribui ao trabalho dos sinais dos símbolos e à nova proposta das ciências cognitivas. O livro tem cinco partes: a fôrma cerebral (1), forma e conteúdo mental (II), e a mente alterada (III), a mente organizada (IV) e a mente sitiada (V). A linguagem atravessa a todas elas, como um elo contínuo, algo como que reproduzindo, por analogia, o que fazem os neurônios e as sinapses, quando levam para o cérebro as formas que devem reprogramá-lo, com vistas à eficácia criadora do homem. A idéia de que a mente é sempre criadora (associada à ameaça de parar de sê-lo) é uma das peças centrais de O Sítio da Mente. Porque a cultura ou pode multiplicar as mentes ou pode acabar com todas elas. Portanto, a cultura tem papel determinante. Sua vocação, como a do cérebro, é a produção da contínua novidade, e esta não é a condição de A ou B, mas a da própria estrutura do mundo, onde a descontinuidade é o traço essencial. Pois a linguagem não pode repetir. Ela qualifica a experiência, é a experiência.
Del Nero amplia o conceito de linguagem. Isso implica uma crítica da linguagem. Ampliar é refazer, ultrapassar. Por certo, a linguagem qualifica a experiência, vale dizer, nosso encontro com o mundo. Mas como qualifica a experiência? Como a linguagem pode melhorar a nossa vida se ela não passa de um instrumento para se dizer o real? Esse é âmbito da crítica.
A esse respeito, as observações do livro são esclarecedoras. Para Del Nero, a linguagem não apenas comunica, mas "produz" o homem. Comunicar, no caso, valeria por "asseverar", ou seja, dizer sim, ou não a um conteúdo ou proposição. Na vida a toda hora, nós afirmamos ou negamos, mesmo que de boca fechada. Mas o tipo de programa em que se afirma ou se nega coisa seria bem menos vital e criativo do que as "pinturas" que o cérebro desenha em nossa mente, e nós não percebemos. Essas figuras, constituídas de milhares de outras, é que dariam base a uma verdadeira álgebra de relações, por meio dos quais o cérebro formula hipóteses de compreensão do mundo. É o que Del Nero entende como a função icônica da mente humana. É uma visão antigramatical. Até mesmo antiocidental.
continua na próxima postagem.....
Nenhum comentário:
Postar um comentário