sexta-feira, 24 de junho de 2016

MÁRIO DE ANDRADE E A MÚSICA (11)

              continuação....
     A segunda indagação diz respeito à Arte Pura - Partindo do exemplo da Música, - que no conjunto das Artes representa a realização mais perfeita da Beleza Pura, - pode-se admitir, em geral, a Arte Pura? Pode-se encarar a Arte como propõe a revista L'Espirit Nouveau - a bíblia dos modernistas brasileiros - como "uma máquina de produzir comoções estéticas"? A questão não é nova e Mário já havia se referido a ela em 1921, no "Prefácio Interessantíssimo", retomando-a mais tarde na Escrava. Neste último texto ele lembrava que a Música já havia realizado a beleza apenas artística, a arte pura, há duzentos anos, com João Sebastião Bach e Mozart. O que não era surpreendente, tratando-se da mais vaga, da  menos intelectual de todas as artes; daquela que Combarieu havia definido como "a arte de pensar sem conceitos por meio de sons", - Mas seria válido admitir a mesma possibilidade em relação a uma manifestação artística representativa como a  Pintura? Ao abolir o assunto a pintura certamente continuaria nos encantando através das linhas e das cores, do equilíbrio da composição. Mas reduzida apenas à sua expressão formal e sem a função coletivizadora, se transformava numa arte de grande pobreza. E concluía: "E a finalidade da obra-de-arte é a obra-de-arte, enquanto esta representa o humano transposto pela beleza e aspirando a uma vida melhor".
      Estes dois exemplos, que achei oportuno mencionar, testemunham bem o método expositivo de Mário e como, mesmo fixando-se na Música, conseguia transitar com desembaraço de um problema para outro, ampliando o campo estético do aluno. Mas voltemos ao compêndio.
                      continua na próxima postagem......
 
Texto extraído de - CADERNO DE SÁBADO -
Jornal da Tarde
Data: Sábado - 6-1-96
"Jornal da Tarde"
Pertencia ao jornal
"O ESTADO DE SÃO PAULO"
 

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