sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
CECÍLIA MEIRELES (02)
CANÇÃO NAS ÁGUAS
ACOSTUMEI minhas mãos
a brincarem na água clara:
por que ficarei contente?
A onda passa docemente:
seus desenhos - todos vãos.
Nada pára.
Acostumei minhas mãos
a brincarem na água turva:
e por que ficarei triste?
Curva e sombra, sombra e curva,
cor e movimento - vãos.
Nada existe.
Gastei meus olhos mirando vidas
com saudade.
Minhas mãos por águas perdidas
foram pura inutilidade.
pag. 207
Poema extraído do livro:
Viagem
Vaga Música
Cecília Meireles
Editora Nova Fronteira
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