Quando Sagarana foi publicado, o embaixador apaixonado por gatos já havia feito duas importantes incursões pelo caminho das letras. Entre 1929 e 1930, quando ainda era estudante de medicina em Belo Horizonte, publicou três contos na revista semanal ilustrada O CRUZEIRO, do Rio de Janeiro. Os contos O Mystério de Highmore Hall (7/12/29), Cronos Kai Anágke (21/6/29) e Caçadores de Camurças (17/7/30) já revelavam a paixão pela invenção de palavras, só que a caça aos tesouros das letras era feita em línguas estrangeiras, como o inglês. Só depois de 30 anos Guimarães Rosa descobriria a inegostável fonte do sertão.
Em 1936 ganhou um concurso da Academia Brasileira de Letras com os 91 poemas de Magma. O livro com os poemas está inédito até hoje e a discussão sobre sua publicação em 1992 foi aquecida por uma tese da pesquisadora de Literatura Brasileira Hygia Therezinha Calmon Ferreira. Em 1938 uma história curiosa envolveria a publicação de Sagarana. Guimarães mandou o livro para um concurso organizado pela editora José Olympio. Estava resolvido que o primeiro colocado teria sua obra publicada pela editora. Um concorrente, com o pseudônimo de Viator, chamou a atenção da banca da qual participava o já consagrado escritor Graciliano Ramos. O autor de São Bernardo leu o calhamaço de quase 500 páginas com ressalvas: alguns contos eram muito bons enquanto outros nem tanto. Resultado: Guimarães perdeu o concurso e o livro só foi publicado bem mais tarde, em 46, por outra editora. O sucesso foi tão grande quanto inesperado. Esgotada a segunda edição, o editor não possuía capital de giro e a editora fechou, vítima do sucesso de Sagarana.
Dez anos e três edições depois da publicação do livro berço de Augusto Matraga, Guimarães publicou pela José Olympio Corpo de Baile, coletânea de novelas interligadas, na qual é salientada a viagem ao tempo infantil em "Campo Geral". No mesmo ano e pela mesma editora foi publicada a obra máxima do escritor: Grande Sertão: Veredas. O livro causou um enorme impacto nas letras brasileiras, sendo uma das publicações analisadas, combatidas e louvadas da literatura nacional.
Nas críticas feitas na época é possível perceber a importância que o escritor adquiriu logo que publicou os livros. O professor Roberto Schwartz ensaiava críticas em 1960 comparando o diálogo de Riobaldo à tosse literária do personagem de Thomas Mann na Montanha Mágica. Antônio Cândido, também professor de literatura, reconhecia a magia da estrutura narrativa do escritor mineiro e dizia: ".... justamente para ressaltar a diferença e mostrar as leis próprias do universo de Guimarães Rosa, cuja compreensão depende de aceitarmos certos ângulos que escapam aos hábitos realistas, dominantes em nossa ficção".
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Joana Monteleone é repórter do Caderno de Sábado
Texto extraído do JORNAL DA TARDE
de: Sábado - 6-1-96
JORNAL DA TARDE pertencia ao "O ESTADO DE SÃO PAULO"
Dez anos e três edições depois da publicação do livro berço de Augusto Matraga, Guimarães publicou pela José Olympio Corpo de Baile, coletânea de novelas interligadas, na qual é salientada a viagem ao tempo infantil em "Campo Geral". No mesmo ano e pela mesma editora foi publicada a obra máxima do escritor: Grande Sertão: Veredas. O livro causou um enorme impacto nas letras brasileiras, sendo uma das publicações analisadas, combatidas e louvadas da literatura nacional.
Nas críticas feitas na época é possível perceber a importância que o escritor adquiriu logo que publicou os livros. O professor Roberto Schwartz ensaiava críticas em 1960 comparando o diálogo de Riobaldo à tosse literária do personagem de Thomas Mann na Montanha Mágica. Antônio Cândido, também professor de literatura, reconhecia a magia da estrutura narrativa do escritor mineiro e dizia: ".... justamente para ressaltar a diferença e mostrar as leis próprias do universo de Guimarães Rosa, cuja compreensão depende de aceitarmos certos ângulos que escapam aos hábitos realistas, dominantes em nossa ficção".
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Joana Monteleone é repórter do Caderno de Sábado
Texto extraído do JORNAL DA TARDE
de: Sábado - 6-1-96
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