Toda esta documentação se encontra acondicionada individualmente em envelopes de papel neutro. Dada a natural perecibilidade do suporte desses documentos (papéis jornal, sulfite, apergaminhado, etc) era indispensável realizar a sua microfilmagem, o que está se fazendo neste momento. Pesquisadores, estudiosos e interessados na vida e na obra de Guimarães Rosa terão, com sempre tiveram, assegurado o direito de consulta ao arquivo, ao mesmo tempo em que se garante a integridade, preservação e prolongamento da vida do documento.
As pesquisas e trabalhos realizados com esses documentos inserem-se num projeto amplo, elaborado pela Profª. Cecília de Lara, que visa organizar, explorar e divulgar o Arquivo João Guimarães Rosa. São teses de doutorado e monografia de mestrado, comunicações em congressos, artigos, exposições, cursos, seminários, etc. (ver quadro abaixo).
Como parte desse projeto, venho realizando um trabalho em cinco cadernetas do arquivo, contando para tanto com bolsa da Fundação Vitae. As cadernetas são diários das viagens que Guimarães fez à Itália em 1949 e 1950 na companhia de sua mulher Araci. Observador e detalhista, Guimarães descreve paisagens, destacadamente árvores e animais. Dos museus visitados, faz observações críticas de algumas telas, tentando reproduzi-las em desenho. Descreve tipos humanos, observando-lhes os gestos, cacoetes, roupas. A precisão documental é tamanha que registra a data de chegada e saída de cada cidade, informando meio de transporte (trens, ônibus, barco), hotel, número do quarto, cardápios. Vez ou outra anota comentários de d. Araci.
Destaques e rasuras a tinta ou a lápis colorido indicam a releitura desse material pelo escritor e a consequente transformação dos diários de viagem em instrumentos de trabalho. Pode-se até mesmo observar o aproveitamento de trechos, expressões e frases em obras publicadas posteriormente.
As notas das cadernetas não visavam um projeto, uma finalidade imediata, a não ser registrar as emoções e conservar a memória dos lugares visitados. Mesmo assim, poderão constituir-se em embriões, na forma inicial de várias criações literárias. Tanto que o trabalho com elas tem me conduzido a uma pesquisa em toda a obra posterior a 1949.
continua na próxima postagem....
Texto extraído do Jornal da Tarde
"Caderno de Sábado"
Data: Sábado - 06-1-96
Destaques e rasuras a tinta ou a lápis colorido indicam a releitura desse material pelo escritor e a consequente transformação dos diários de viagem em instrumentos de trabalho. Pode-se até mesmo observar o aproveitamento de trechos, expressões e frases em obras publicadas posteriormente.
As notas das cadernetas não visavam um projeto, uma finalidade imediata, a não ser registrar as emoções e conservar a memória dos lugares visitados. Mesmo assim, poderão constituir-se em embriões, na forma inicial de várias criações literárias. Tanto que o trabalho com elas tem me conduzido a uma pesquisa em toda a obra posterior a 1949.
continua na próxima postagem....
Texto extraído do Jornal da Tarde
"Caderno de Sábado"
Data: Sábado - 06-1-96
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