de quando eu era menino
e saía sem destino
à procura de um brinquedo?...
Papai ficava escrevendo
e toda vez que eu saía
você sempre me dizia:
"Não demore! Volte cedo!"
E quando eu deixava a mesa,
ia em direção à sala,
escutava a sua fala:
"Meu relógio nunca atrasa!"
E para mim se voltando,
dizia, depois da ceia:
"O mais tardar, nove e meia,
Você tem que estar em casa!"
Eu saía, como o vento,
correndo pelas calçadas,
brincando com os camaradas
sem presente e sem porvir!
Faltando cinco minutos,
a brincadeira acabava;
e, às nove e meia, eu voltava,
para rezar e dormir...
À beira da minha cama,
você Mamãe, se sentava
e tranquila me ensinava
Pai-nosso... Ave-maria...
Depois lhe pedia a bênção,
pedia a papai também,
sem falar mais com ninguém,
fechava os olhos, dormia...
Fui crescendo! Fui crescendo!
E, quando mudei de idade,
acabou-se a liberdade
do menino independente!
Com a carta do ABC,
um lápis, uma sacola,
você me pôs numa escola,
- outro mundo diferente!
Mas um dia, a professora
me bateu!... Não sei por quê!
Minha carta do ABC
lhe atirei de encontro ao rosto!
E você, sabendo disso,
caiu prostrada em pranto!
Seu sofrimento foi tanto,
quase morri de desgosto!
Lá me fui para outra escola!
Aquela não me aceitava!
- Dona Faninha me odiava!
pobre velha sofredora!
Hoje, dou graças a Deus,
por algo ter aprendido
e vivo arrependido
do que fiz com a professora!
.............................................
Hoje, que o tempo passou
e eu acordei para a vida,
é que sei, Mamãe querida,
os erros que pratiquei!...
Você bem sabe, mamãe,
que eu fui um menino horrível
pela série indescritível
dos desgostos que lhe dei!
Ajoelho-me ante a distância,
para lhe pedir perdão
e dizer de coração:
"Seu filho se arrependeu!"
Arrependi-me, Mamãe,
de tudo ter praticado,
por isso odeio o passado,
Só porque você sofreu!...
Mas a mamãe carinhosa,
amiga fraterna e boa,
ama, padece, perdoa,
faz o que você me fêz!
Se eu voltasse à minha infância,
seria feliz, porque
estou certo que você
me perdoaria outra vez!
Jansen Filho
pag. 84 a 86
Do livro: Língua e Literatura
Brasileira
Volume I
Editora F.T.D S.A
Data: 31/07/1966 - conforme " À GUISA DE APRESENTAÇÃO " - PAG. 7/8
JANSEN FILHO - Nasceu em Monteiro, Paraíba em 1925 - Educou-se no Rio de Janeiro. Reside atualmente em belo Horizonte. Percorre o país, dando conferências, recitando, improvisando. É a mais sonora das cigarras sertanejas, disse dele Agripino Grieco. A poesia de Jansen Filho é da mais alta extração: recatada e social; patriótica e cristã; universal e polifórmica. OBRAS: Auroras e Crepúsculos; A Coruja do meu Bairro; Canções de Marizete; Céus de Minha Aldeia; Negros que Meus Olhos não Viram; Procissão de Sombras; Fôlhas que o tempo Levou; Guitarra Partida; Recordações do Meu Pai; Rua Sem nome.
Essa é uma das mais belas canções que já ouvi.
ResponderExcluirGratidão. Li esta poesia quando criança e decorei. Na universidade no ano de 2005, no curso de psicologia, utilizei o texto para apresentar um trabalho sobre as teorias de Piaget sobre,a educação infantil. A professora achou perfeito. Entretanto , não sabia o nome do autor, não encontrei nada na internet. A citação bibliográfica foi aceita como não lembrada, memória de infância. Eu sabia todo o texto,com exceção de apenas 6 versos, que não mudaram o sentido das estrofes. Hoje eu sei de quem é. Gratidão,gratidão,gratidão
ResponderExcluirMeu avô, José Sonccini Sobrinho, declamava muito esta poesia quando eu era criança (há 50 anos). Durante muito tempo eu procurei, mas como não conhecia a autoria eta muito difícil. Agora que achei, posso voltar no tempo, quase ouvindo a voz do meu vô Zé, muita emoção. Gratidão a quem compartilhou!
ResponderExcluirEssa poesia me fez voltar ao passado... Eu recitava na minha infancia, no dia das mães. Fazia tempo que não lia essa poesia...
ResponderExcluirObrigada por me dar essa sensação d alegria e saudosismo.
(Eunice Paiva)
Como estou feliz de rever e declamar novamente essa poesia, que ofereci à minha mãe e que, infelizmente, não moravamos juntas! Decorei e declamo até hoje! Minha mãe já se foi! Mas guardo eternamente só lembranças boas! E sempre que posso declamo para outras mães tbém! Curtimos juntas bons tempos! ( suspiro)! Gratidão!
ResponderExcluir