POESIA CONCRETA
(Wagner Ribeiro)
A arte do nosso século, pelo seu lado teórico, tem sido principalmente um impressionante desfile de ISMOS.
Aos três ou quatro grande ismos do século dezenove - romantismo, realismo, simbolismo - já podemos opor com orgulho, com apenas meio século de existência, quase uma dezena de ismos indiscutivelmente nossos: expressionismo, fauvismo, futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, abstracionismo. Mas não sorriam, os senhores; é assim que vai mudando, para melhor ou para pior não só a nossa música ou o nosso verso, mas até a capa das nossas revistas e o tecido das nossas cortinas.
Concretismo é a última dessas palavras a nos soar insistentemente aos ouvidos. O concretismo pictórico e musical são movimentos universais, suficientemente definidos para quem se dá ao trabalho de acompanhar o vaivém constante da arte. Mas poesia concreta. Concretismo em poesia? Poesia não será feita de palavras e haverá coisa mais abstrata - ao contrário do nome e da cor - do que a palavra? Não é evidentemente, o que pensam os nossos jovens concretistas nacionais (1).
continua na próxima postagem....
(1) Suplemento Literário de "O Estado de São Paulo" de 1º de junho de 1957.
Texto extraído da Língua e Literatura Brasileira - vol. 7 - pag. 263
EDITORA F.T.D. S/A.
OBSERVAÇÃO: Suplemento Literário de "O Estado de São Paulo" de 1º de junho de 1957 pode ser verificado, pesquisando no acervo de "O Estado de São Paulo"; apondo essa data, ou seja, 01/06/1957.
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