sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O SAPO, A ESTRELA E A BRISA

                                                 O SAPO, A ESTRELA E A BRISA
                                                                        Judas Isgorogota


Do alto do céu, a luz de uma estrela distante
Derramou-se por sobre a superfície amena
Da lagoa, onde estava um batráquio sonhando
Com uma estrela furtiva, ideal e serena.
Nisto passou dançando uma brisa fagueira
Que ao ver do velho sapo a expressão dolorida,
Dele se aproximou, com cautela e, amorosa,
Com malícia indagou:
                - "Como vai, minha vida?...."
O pobre sapo estremeceu. Embevecido, atônito,
Olhou  o céu e diante do argentino fulgor
Da estrela enamorada, encheu-se de doçuras
E assim lhe respondeu:
                - "Como vai, meu amor?...."
Eis que a brisa, que estava às ocultas sorrindo
Daquele estranho amor, sobre as águas correu
E em frente ao sonhador, disse-lhe à face, irônica:
               - Quem te falou fui eu".
E numa gargalhada cruel, a traquinas, dançando.
Entre as ramas se foi, em trejeitos sutis,
Enquanto o velho sapo incrédulo murmura:
                -  "Invejosa.... não pode ver ninguém feliz..."
                                        pag. 209/210

Judas Isgorogota
AGNELO RODRIGUES MELO (JUDAS ISGOROGOTA)
- Nasceu em Lagoa da Canoa. Estado de Alagoas, em 1901. Com apenas o Curso Primário (autodidata) tornou-se grande escritor, "um dos maiores líricos da Língua Portuguesa (Nelson Werneck Sodré), um poeta completo e perfeito, na beleza da forma e na sublimidade da ideia. OBRAS: Caretas de Maceió; Divina Mentira; Um Pirralho na Arca do Noé; Recompensa; Um Passeio na Floresta; Os que Vêm de Longe; Pela Mão das Estrelas; Interlúdio; Música Proibida; As Amáveis Lembranças; Versos da Idade de Ouro; Sapinho de Prata.
 
Poema extraído do livro:
Livro e Literatura Brasileira
Editora F.T.D. S/A.
Gilio Giacomozzi
Língua Portuguesa
Segundo Volume

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